A Universidade de Taubaté (UNITAU) passou a integrar uma rede nacional de pesquisa dedicada ao desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial voltadas à triagem de lesões com suspeita de câncer de pele. A iniciativa faz parte do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), que reúne centros de pesquisa de diversas regiões do país.
O estudo, denominado “Validação de Algoritmo de Inteligência Artificial para auxílio na triagem de lesões suspeitas de Câncer de Pele: Triaderm Study”, é realizado em parceria com o Hospital Israelita Albert Einstein e com a Fundação de Apoio à Pesquisa, Tecnologia e Inovação da Universidade de Taubaté (Fapeti). Nesse projeto, a UNITAU atua como um dos polos de coleta de dados clínicos e imagens obtidos durante atendimentos realizados no ambulatório de Dermatologia do Hospital Municipal Universitário de Taubaté (HMUT).
Durante os atendimentos, lesões suspeitas são documentadas por meio de fotografias clínicas e exames de dermatoscopia. As informações coletadas são enviadas para uma plataforma nacional que servirá de base para o treinamento do sistema de inteligência artificial. O Hospital Israelita Albert Einstein coordena a centralização dos dados e o desenvolvimento da tecnologia, enquanto a Fapeti oferece apoio técnico e administrativo para a execução do projeto.
A proposta científica é desenvolver e treinar uma ferramenta capaz de auxiliar profissionais de saúde na identificação inicial de lesões suspeitas, incluindo casos de melanoma e câncer de pele não melanoma. A expectativa é contribuir para o diagnóstico precoce da doença e ampliar o acesso a avaliações especializadas, principalmente em locais onde há escassez de dermatologistas.
A iniciativa também possui impacto direto na formação acadêmica. Estudantes do curso de Medicina participam das atividades de coleta de dados, registro fotográfico e dermatoscopia das lesões, além da inserção das informações na plataforma do estudo. Essa participação permite aos alunos vivenciar, na prática, a integração entre assistência médica, ensino e pesquisa.
Entre as perspectivas do projeto está a expansão da coleta de dados em diferentes regiões do Brasil, o que permitirá a formação de um banco nacional de imagens cada vez mais representativo. O fortalecimento dessa rede colaborativa deve impulsionar a produção científica e ampliar o uso da inteligência artificial na área da saúde, especialmente na triagem do câncer de pele.
A dermatologista Elisangela Manfredini Andraus de Lima, responsável pelo projeto e professora do curso de Medicina da UNITAU, destaca a relevância da iniciativa para a saúde pública. Segundo ela, a criação de um banco de dados amplo e representativo da população brasileira poderá, no futuro, permitir que a inteligência artificial apoie a triagem de pacientes em regiões com poucos especialistas, contribuindo para diagnósticos mais rápidos e para a redução da mortalidade.
A docente também ressalta que a experiência clínica da equipe é fundamental para garantir a qualidade do estudo. De acordo com ela, a rotina no ambulatório assegura que a coleta de imagens e informações seja realizada com rigor técnico e alinhada à prática médica, fator essencial para o desenvolvimento de uma ferramenta confiável.
Para a diretora-presidente da Fapeti, Márcia Regina de Oliveira, a participação no projeto reforça o compromisso da fundação com a inovação e a pesquisa aplicada. Ela afirma que apoiar iniciativas estratégicas com impacto científico e social fortalece a produção acadêmica e amplia a contribuição da região para o avanço tecnológico na área da saúde.
Na avaliação da pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação da UNITAU, Monica Franchi Carniello, o projeto evidencia a importância da cooperação entre instituições de destaque em seus campos de atuação. Segundo ela, a parceria entre UNITAU, Fapeti e Hospital Israelita Albert Einstein amplia o alcance das pesquisas desenvolvidas e demonstra o empenho de professores e estudantes da universidade no avanço da ciência.




