O custo da cesta básica familiar no Vale do Paraíba caiu 1,05% em agosto, segundo levantamento do Núcleo de Pesquisas Econômico-Sociais da Universidade de Taubaté (NUPES/UNITAU). Foi o segundo mês consecutivo de queda nos preços.
O valor médio da cesta passou de R$ 2.914,88 em julho para R$ 2.884,15 em agosto, uma redução de R$ 30,73. Em julho, o recuo havia sido ainda maior, de 2,53%.
De acordo com a análise do NUPES, as quedas registradas nos últimos dois meses interrompem o período de alta observado entre março e junho. O resultado está principalmente relacionado ao comportamento dos preços dos alimentos, que representam a maior parte do custo da cesta.
As quatro cidades acompanhadas pela pesquisa apresentaram redução no valor da cesta em agosto. Taubaté teve a maior queda, de 1,88%, seguida por Caçapava (-1,61%), Campos do Jordão (-0,65%) e São José dos Campos (-0,12%).
Taubaté também registrou o menor custo médio da cesta, de R$ 2.764,98. Na outra ponta, Campos do Jordão apresentou o maior valor, de R$ 3.125,36.
A diferença entre os dois municípios chegou a R$ 360,38, equivalente a 13,03%.
Segundo o NUPES, fatores estruturais ajudam a explicar essa diferença. Em Campos do Jordão, a localização na Serra da Mantiqueira e a forte atividade turística influenciam os custos de comercialização. Já em Taubaté, a infraestrutura rodoviária e a maior concorrência entre estabelecimentos favorecem preços mais baixos.
O grupo de alimentação, que representa quase 90% do valor total da cesta, registrou queda de 1,18% em agosto e foi o principal responsável pela redução geral.
Também houve queda nos preços dos produtos de limpeza doméstica, de 0,52%. Já os itens de higiene pessoal ficaram 0,62% mais caros.
Entre os alimentos, a batata inglesa apresentou a maior redução média de preços na região, com queda de 29,35%. Na sequência aparecem a cebola, que ficou 15,07% mais barata, e a alface, com redução de 10,83%.
O aumento da oferta ajudou a pressionar os preços para baixo. No caso da batata, as condições climáticas favoráveis contribuíram para a normalização da colheita. A cebola foi beneficiada pela maior oferta nacional, enquanto os preços das hortaliças acompanharam o comportamento sazonal associado à melhora das condições climáticas.
Apesar da queda geral, alguns produtos registraram aumentos expressivos em agosto.
A mandioca teve alta média de 10,61%, seguida pelo mamão formosa, com aumento de 8,52%, e pelo fubá de milho, que subiu 3,87%.
Segundo o levantamento, a mandioca foi afetada pela menor oferta típica do período de entressafra. No caso do mamão, a redução da oferta continuou pressionando os preços. Já a alta do milho teve impacto sobre o valor do fubá.
Mesmo com as quedas de julho e agosto, a cesta básica ainda está 0,99% mais cara do que há um ano.
O custo médio regional passou de R$ 2.855,93 em agosto de 2025 para R$ 2.884,15 em agosto de 2026. Apesar da alta acumulada, o ritmo de aumento desacelerou: em julho, a variação em 12 meses era de 1,70%.
O comportamento, porém, varia entre os municípios. Campos do Jordão acumulou alta de 6,36% em um ano, enquanto São José dos Campos registrou aumento de 0,62%.
Em Taubaté e Caçapava, por outro lado, houve redução no período, de 1,97% e 1,26%, respectivamente.
Com a redução dos preços em agosto, também caiu a parcela da renda familiar destinada à cesta básica.
Considerando o parâmetro utilizado pelo NUPES — uma família de cinco pessoas com poder de compra equivalente a cinco salários mínimos — o comprometimento médio da renda passou de 35,96% em julho para 35,58% em agosto.
Criado em 1996, o NUPES completa 30 anos de atuação em 2026. A pesquisa da Cesta Básica Familiar está entre os levantamentos históricos realizados pelo Núcleo e acompanha os preços de 44 produtos, divididos entre alimentação, higiene pessoal e limpeza doméstica.
A coleta é realizada quinzenalmente em 16 supermercados de Taubaté, São José dos Campos, Caçapava e Campos do Jordão.
Além de acompanhar a evolução do custo de vida na região, o trabalho reúne professores pesquisadores e estudantes da UNITAU em atividades de pesquisa e extensão, contribuindo para o acompanhamento da realidade econômica do Vale do Paraíba.









